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27 de jun. de 2011

Tainha

Está aí a causa da suspensão da prática do surf em várias praias do litoral sul do Brasil. Surfista passa de um lado e ela de outro. A Tainha. Nos entendemos na boa dentro da água. A confusão quem faz são os pescadores... (Essa foto eu tirei em 25 de junho passado)

22 de mar. de 2011

Zona de perigo

Agora começa a época do surf mais perigoso do Rio Grande do Sul. 49 surfistas locais já morrerem em redes de pesca nas praias desse estado. ATENÇÃO!

4 de nov. de 2010

Não ao 50º

Nesse feriado de Finados, mais um surfista vítima das redes de pesca em praias do Rio Grande do Sul. Já são 49 mortes!! Se você ou sua família frequenta alguma praia no RS, mesmo não surfando vocês estão se arriscando. Redes lançadas em locais destinados a prática do surf constituem crime!!! Fiscalize e denuncie já que os orgãos competentes parecem não ter competência para isso.

22 de jun. de 2010

Solução para o problema da pesca da tainha

Nessa época que os pescadores do sul do Brasil ficam "nervosos" com os surfistas e interditam as praias para o surf para a pesca da tainha (o que não faz sentido pois surfista não assusta peixe), temos que usar a imaginação para poder surfar. Chegue na praia com uma vara de pescar e disfarce sua prancha de surf. Fique olhando para o horizonte com pose de pescador. Levante bem alto a vara de pescar e entre no mar com ela gritando "vi o peixe, vi o peixe!!". Ao pegar uma onda, continue com sua vara de pescar (veja foto) como se tivesse pescando. Tecnicamente você é um pescador!

15 de mar. de 2010

Aberta temporada de pesca aos surfistas

Atenção você que surfa no estado do Rio Grande do Sul. O brother Ingo Kuerten avisa que a partir de hoje está liberada a colocação de cabos e redes de pesca em todo o litoral do RS. ATENÇÃO!!!

28 de mai. de 2009

Nem todo peixe é pescado

Você que está por dentro do CASO PESCA E SURF vai entender melhor esta postagem. No dia 26 de abril do ano passado, um sábado, fui sozinho atrás de um surf no litoral do Rio Grande do Sul. Um dia frio de outono. Escolhi a plataforma de Atlântida como pico para o surf do dia. O mar não estava pequeno, ondas de 1 1/2 a 2 m de altura. Correnteza lateral um pouco forte de sul. Dois ou três surfistas dentro da água. Lá fora, depois do final da plataforma. Comecei a conversar com alguns surfistas que estavam olhando o mar de cima de uma duna e achei um parceiro para entrar no mar junto. Não conhecia o cara, surfista atrás de onda como eu. Ele me aconselhou a entrar no mar umas duas guaritas de salva-vidas mais ao sul para que quando cruzássemos a plataforma já estivéssemos no fundo o suficiente para cruzar por ela. Entramos juntos no mar. Minha remada não é das melhores, a um ano atrás era ainda pior. Quem conhece este mar aqui do RS sabe da dificuldade de passar as ondas e ir para o outside em dias maiores. O cara que entrou no mar comigo se distanciou de mim um pouco e passou uma série que eu não passei... Olhei para o lado e percebi que eu não iria vencer o comprimento da plataforma, a correnteza de sul me levava para o encontro da plataforma e eu estava ficando numa zona perigosa. Um pouco a frente da plataforma mas tomando onda na cabeça. Se eu não tomasse nenhuma providência, provavelmente eu seria jogado pelas espumas contra os pilares da plataforma e aí a coisa não ficaria bem... Resolvi recuar um pouco e cruzar a plataforma por baixo, mais ou menos pelo meio dela. Sentei na prancha e esperei uma espuma para recuar. Nada de espumas... Iniciei então uma remada mais vigorosa para o raso e fui chegando na plataforma. Cruzei por baixo dela acelerando a remada a favor da correnteza. Vi um pedaço de rede presa em um dos pilares. Levantei bem os pés na idéia de distanciar ao máximo minha cordinha de algo que pudesse prendê-la ali por baixo da plataforma. Ao cruzar voltei a remada para o fundo. Acabei entrando no mar quase em Capão da Canoa (veja a ilustração ao lado). Peguei UMA onda e saí. Cheguei a ficar sentado na prancha, a deriva, esperando uma onda no inside para me levar para a areia. Voltei para meu carro andando. Ao voltar para casa me dei conta do pergigo que eu, surfista inexperiente nos mares do RS passei. Estas condições não existem em outras praias do Brasil onde surfei, Rio e SC. Me refiro a risco de morte em redes de pesca. Com um pouco de azar, eu poderia ter sido capturado por alguma rede de pesca e aí, sem comentários. Portanto, que esta postagem sirva para você que nunca surfou no RS ou que anda entrando em mares no RS como este que relatei. Mar com correnteza nas praias do RS são potencialmente mortais. Redes de pesca, regulares ou não, podem te prender e o pior pode acontecer. NÃO ENTRE EM MARES COM FORTES CORRENTEZAS LATERAIS NAS PRAIAS DO RIO GRANDE DO SUL. Bom surf, boas ondas e vida longa. Longe de redes de pesca.

16 de mai. de 2009

Pesca da Tainha

Hoje começa a pesca da tainha em SC. Assim como no RS, pescadores entram em conflito com surfistas. Cá pra nós, você que surfa e fica dentro do mar por horas, sabe que um milhão de peixes passam por ti sem maiores problemas. Somos como peixes no mar e não temos motor. Barcos de pescadores, estes sim, assustam peixes. No fim do video meu brou Flávio Boabaid.

14 de mai. de 2009

O CASO PESCA E SURF (23)

Apesar de sempre existirem surfistas e não surfistas interessados em minimizar o problema das mortes no litoral do RS devido a redes de pesca, muito pouco se faz para solução definitiva deste problema crônico. Nosso grande colaborador da causa dos surfistas, Ingo Kuerten (ingokuerten@gmail.com - telefone 51 3386-2253), autor do trabalho O CASO PESCA E SURF, profissional especializado e qualificado para trabalhar o assunto de forma adequada e técnica, continua a disposição das instituições que possam estar pensando e fazer algo de concreto sobre o assunto. Na foto, o Ingo é o da direita participando de evento formal direcionado para o assunto. Depois deste evento, mais uma vida de surfista se foi... Esperamos que mais gente (surfistas!) reconheça a necessidade de mobilização. Mortes nas praias do Rio Grande do Sul devido á rede de pesca não é exclusividade de surfistas. Você, sua família, mesmo não surfando, se estiverem tomando banho de mar entre Torres e Chuí, estão arriscando a vida! ABRA SEU OLHO! Nós aqui do Top Wings, continuamos a disposição para divulgação e batalha para por um fim neste absurdo de surfistas morrendo em redes de pesca no Brasil. Neko.

7 de mai. de 2009

O CASO PESCA E SURF (22)

Concluímos então a apresentação deste importante trabalho do Geógrafo e surfista Ingo Kuerten (ingokuerten@gmail.com - telefone 51 3386-2253) sobre O CASO PESCA E SURF. A seguir as conclusões do trabalho do Ingo. Na semana que vem ainda estaremos tocando no assunto.

Conclusões
Existe a necessidade urgente de criação de uma lei federal específica para o zoneamento por usos da orla marítima, com definições claras de dimensão de áreas e competências para gestão e fiscalização desse ambiente, com sansões e penalidades bem definidas. Este é o principal problema em que esbarram as tentativas estaduais e municipais de ordenamento da orla, já que se constitui em área da União. Apesar disso, os municípios do litoral norte tem conseguido, através de acordo com os pescadores, delimitar áreas para surf e para pesca, sendo que a maioria dos pescadores as respeita. Proposta de Nova Área para Surf Com base na velocidade média da corrente de deriva litorânea e no tempo médio de permanência dos surfistas na água, acreditamos que para considerar uma área para surf segura, ela deve ter as seguintes dimensões:
• Extensão entre quatro e seis quilômetros, paralelo a faixa de praia;
• Áreas de escape de pelo menos 350 metros para que os surfistas possam sair do mar com segurança assim que alcançarem suas extremidades;
• Sinalização de limites de áreas em terra, fixadas em postes com altura não inferior a 5 (cinco) metros, em placas coloridas onde a coloração das placas identifique o limite de cada área, a fim de permitir a visualização destas pelos surfistas mesmo em dias de mar agitado;
• Sinalização na água, através da fixação de bóias coloridas em poitas, após a zona de quebra das ondas, conforme utilizado em campeonatos de surf;
Quanto à localização desta área, com base no mapa de uso e ocupação da orla marítima do município, acreditamos que deveria ser implantada desde a Avenida Calábria, ao Sul, até a Rua Benedito Lacerda, ao norte, tendo uma extensão de aproximadamente 4,8km. As áreas de escape seriam: Ao Sul: 350m (trezentos e cinqüenta metros) ao sul da Avenida Calábria; Ao Norte: Da Rua Benedito Lacerda até a plataforma de pesca de Salinas , totalizando aproximadamente 350 m (trezentos e cinqüenta metros). A Plataforma de Pesca funcionaria como uma barreira natural e de fácil identificação pelos surfistas . A localização sugerida tem como base a análise da ocupação da orla marítima do município, sendo que neste trecho se concentram a maior parte das residências de veranistas, conforme figura 21. Com a criação desta nova área para Surf, teriam que ser remanejados dois cabos existentes ao sul (19° e 20° cabos) e oito cabos existentes ao norte (11° ao 18° cabos) da atual área demarcada para pesca no município. Analisando o mapa de uso e ocupação da orla (figura 13, pág. 66), este remanejo parece ser possível visto que existem grandes áreas (mais de 500 metros de extensão) sem qualquer uso dentro dos setores 1 Sul, Setor 4 e Setores 2 e 1 norte. Além disso, após a retirada dos cabos de pescadores que não vivem da pesca aumentaria a área destinada para pescadores  profissionais artesanais no município. Ressaltamos que o número de surfistas é irrelevante para a determinação da extensão mínima de área, pois o comportamento da corrente de deriva litorânea não varia conforme o número de surfistas na água. Acreditamos que o aumento da área para surf contribua com um incremento no número de turistas não só no verão, mas também durante o inverno no município de Cidreira. Isso porque muitos surfistas que possuem residência no município alegaram freqüentar outras praias durante o inverno devido à pequena extensão da atual área de surf do município. O aumento no número de surfistas durante o inverno elevaria o consumo e aqueceria o comércio inclusive com ganhos aos pescadores, que poderiam vender diretamente aos consumidores saindo da mão de intermediários e da exploração que porventura 
estejam submetidos. Quanto aos pescadores, é necessário um novo recenseamento junto ao órgão ambiental responsável, a fim de acabar com os cabos e redes irregulares e a expedição de carteiras a não-pescadores; Existe também a necessidade do fomento às atividades de pesca e apoio ao desenvolvimento das famílias de pescadores para que não fiquem subordinados aos intermediários da pesca; A partir disso, deve ser organizada pelos órgãos de apoio aos pescadores (EMATER, SEAP, CEPERG, IBAMA) uma nova definição dos pontos de pesca no município, segundo as possibilidades de cada pescador. É necessário um projeto de capacitação com subsídios para a busca de meios alternativos à pesca com redes de espera, como projetos para maricultura marinha e pesca com botes.

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30 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (21)

Antes de chegarmos as conclusões e ao final da apresentação aqui no Top Wings do trabalho do Ingo Kuerten (ingokuerten@gmail.com - telefone 51 3386-2253) sobre O CASO PESCA E SURF, uma discussão bem básica e clara sobre os riscos de surfar no litoral do Rio Grande do Sul...

10 Discussão
Analisando este trabalho é possível perceber os enormes riscos aos quais são submetidos os surfistas que freqüentam a praia de Cidreira . Considerando uma velocidade média de deriva litorânea de 1m/s – Toldo Jr et al. (1993) e o tempo médio de permanência na água (2 horas) segundo os resultados do levantamento de campo, a extensão da atual área de surf não oferece condições mínimas de segurança. Se uma hora tem 3600 segundos, um surfista a deriva no mar em um dia de correntes de 1m/s percorrerá, em duas horas, aproximadamente 7200 metros. Além disso, não existe uma área de escape para que o surfista tenha tempo de sair do mar. Assim que termina a área de surf no município, em ambas as extremidades foram identificadas redes de pesca em uma distância aproximada de 100 metros, sendo outro fator de alto risco para os surfistas . Como se não bastassem estes fatores , o flagrante de pesca com redes dentro da área destinada para surf e de surfistas em área de pesca confirmou denúncias recebidas anteriormente, mostrando que não existe qualquer tipo de fiscalização das áreas. Durante as entrevistas com pescadores, pudemos perceber uma série de irregularidades nas atividades de pesca no município de Cidreira:
• Falta de critérios justos par a distribuição dos pontos de pesca;
• Irregularidades na expedição de carteira de pescador profissional artesanal e nos usos de materiais recebidos através de convênios com órgãos públicos, como redes e barcos. Existe uma espécie de “monopólio da pesca artesanal” e exploração de pescadores, através de “aluguel” de materiais de pesca em troca de entrega do pescado sem negociação de preços e participação nos lucros do intermediário;
• Pescadores que não vivem da pesca possuem cabos de redes apenas por lazer ;

23 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (20)

Antes de entrarmos nas partes finais do CASO PESCA E SURF, uma análise do surfista que está procurando as ondas nestas áreas de risco.

9.3 O surf e o perfil dos surfistas que freqüentam o município de Cidreira: Locais e Eventuais.

Foram aplicados questionários a 18 surfistas, identificados na orla marítima de Cidreira durante o levantamento de campo, a fim de traçar um perfil dos surfistas que freqüentam a orla do município. Através destes questionários pudemos quantificar uma série de fatores, organizados nas tabelas a seguir:


Dos 18 surfistas entrevistados, 39% eram turistas/veranistas, sendo que apenas um (6%) deles não possuía 2ª residência no município. Além disso, 76% deles possuem residência ou segunda residência no município há mais de 10 anos, o que caracteriza uma grande identificação destes surfistas com o município.



Neste item os entrevistados puderam fazer múltiplas escolhas. De uma forma geral, a preferência da maioria se deu entre a área de surf localizada no Calçadão e na plataforma de pesca. As respostas mais freqüentes para quem escolhia a plataforma de pesca mesmo sabendo que não é uma área destinada pra surf foram:
1. A boa formação das ondas próximo aos pilares;
2. A relativa segurança em relação às redes de pesca;
Os surfistas acreditam que estão seguros próximos à plataforma porque geralmente não se colocam redes junto ao local em função de ser uma área destinada para pesca com molinetes. Além disso, os pilares formam uma barreira artificial para as correntes de deriva litorânea, uma bancada de areia semi permanente e também um referencial dentro da água. Ali é possível que o surfista consiga identificar o ponto de quebra das ondas, se posicione para pegar a onda antes do colapso e permaneça mais tempo próximo aos pilares.
Alguns surfistas não opinaram sobre consumo no município e gasto médios. Apesar disso, dentre os que opinaram, todos afirmaram que consomem no município sendo que a maioria (79%) sempre utiliza os serviços e comércio, tendo um gasto médio entre 50 e 100 reais (80%), enquanto o restante costuma gastar valores acima dos 100 reais.
Do total de surfistas que opinaram nesta questão (16), a maioria (81%) se mostrou insatisfeita com a área destinada para surf no município. A maior alegação deles estava na pequena extensão da área destinada para surf no município. Alguns relataram que em dias de correntes (de deriva litorânea) muito fortes, percorrem a área destinada para surf em apenas 20 minutos. Número considerável deles gostaria que a área urbana do município fosse totalmente destinada à prática de surf. 50% dos surfistas também não estão satisfeitos com a fiscalização das áreas dentro do município. Repetidas vezes alegaram que redes clandestinas são dispostas dentro da área destinada para surf, sem que qualquer atitude seja tomada. Alegam que a brigada militar recebe as denúncias, mas responde que não pode fazer nada, pois não tem competência para fiscalizar a orla, que é área da união, cabendo à marinha ou ao IBAMA sua fiscalização. Um surfista se sente insatisfeito pelo fato de que as redes são de difícil localização de dentro ou de fora da água, constituindo alto risco para eles. Nas fotos 19 e 20 podemos confirmar essa alegação, da difícil localização das redes seja pela fixação dos cabos na areia ou em locais indevidos, seja pelas bóias dentro da água.

16 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (19)

Seguimos com O CASO PESCA E SURF, agora a postagem 19 no Top Wings. O intuito destas postagens é a de esclarecer surfistas e público em geral sobre um problema seríssimo que ocorre no litoral do Rio Grande do Sul. A prática de surf e de pesca simultâneamente tem causado mortes de seres humanos. Morte de surfistas. Simplesmente um absurdo. No sábado passado, 11 de abril, o surfista de 22 anos, Lucas Boeira Dias, morreu na praia de Capão da Canoa, preso a redes de pesca. Tragédia anunciada. É impossível que a comunidade em geral, surfistas, pais de surfistas, amigos, familiares, não se movimentem contra esta situação. É mais do que óbvio que se tudo continuar do jeito que está, em breve teremos notícias de mais mortes. Minha conclusão é simples. FIM DO SURF NO RIO GRANDE DO SUL. Se nada for feito para minimizar estes riscos, eu e minha filha, pelo menos nós dois, estaremos abandonando este litoral e procurando local seguro para prática do nosso surf. Neko.

9.2.1 Os Relatos dos Pescadores
Durante as entrevistas, quando questionados sobre o aumento da área destinada para surf, quatro pescadores aceitaram a possibilidade de se aumentar a área do município destinada para surf. Porém, um deles é pai de dois surfistas e os outros três são pescadores e também surfistas. Durante os levantamentos da ocupação e usos da orla tivemos a oportunidade de conversar com dois pescadores. Um deles, dono do penúltimo cabo de rede levantado no município, informou que é funcionário público aposentado e que pesca apenas como lazer. Afirmou também que tem duas filhas com terceiro grau completo, mora no município há dois anos e que não teve problemas em conseguir licença de pescador profissional artesanal. O outro pescador passeava pela praia de bicicleta e, curioso ao ver-nos tirando foto dos cabos de rede, veio conversar pra saber se éramos da prefeitura. Assim que soube que fazíamos um trabalho sobre pesca no município, fez diversas denúncias, inclusive citando nomes. Denunciou um colega que está morando em Tramandaí há dois anos, não vive mais de pesca, mas está tentando vender o ponto que lhe foi delimitado no município. Afirmou ainda que este mesmo pescador ainda recebe o defeso da piracema nos meses de verão. Falou que um cunhado seu, que é pedreiro e nunca pescou recebeu carteira de pescador da associação de pescadores do município apenas para ganhar o dinheiro do defeso em troca de votos nas eleições. Três pescadores que não puderam nos atender afirmando falta de tempo possuíam uma característica em comum: O alto poder aquisitivo. Chegamos à residência de um deles localizada próximo à plataforma de pesca, mas o pescador estava carregando seu Jipe para sair a pescar. A residência possuía três pavimentos além do térreo, contava com outros dois veículos na garagem e parecia ser bem grande. Em outra visita na tentativa de entrevistar o pescador, já percebemos o alto poder aquisitivo. Ele também possuía um Jipe, outros dois veículos, casa de alvenaria nova, muitas redes e petrechos de pesca em um galpão junto ao jardim em frente à residência. O terceiro pescador com alto poder aquisitivo foi onde fizemos nossa última parada para entrevistas. Ele é dono de uma peixaria na localidade de Nazaré, entre o centro de Cidreira e o balneário Salinas. Este pescador vive há mais de 25 anos no município de Cidreira, e é um dos responsáveis pela associação de pescadores do município. Apesar de alegar falta de tempo (atendia aos fregueses e também a um pescador que lhe trazia pescado) pudemos ter uma rápida conversa. Ao contrário da maioria dos pescadores entrevistados, este era muito articulado. Possui uma bela residência de alvenaria com dois pavimentos sobre sua peixaria, e no terreno ao lado havia dois caminhões, um Jipe e mais um veículo de passeio. Afirmou que têm um filho na faculdade, aparentando dominar os meios de comunicação como internet, etc. Assim que soube da aplicação dos questionários, contestou as afirmações dos pescadores antes entrevistados, alegando que nenhum deles ganha com a pesca menos do que R$ 1.500,00 por mês. Quando questionado sobre as áreas para surf e para pesca, afirmou que foi oferecido aos surfistas do município o aumento da área para surf em mais dois quilômetros para sul da atual área de surf, mas que estes não aceitaram porque “querem surfar na área central para poder aparecer”. O pescador que lhe fornecia os peixes não confirmou a alegação da remuneração média para os pescadores. Conversando com este pescador e observando seus atos e comportamento, pudemos ter uma visão um pouco diferente. Este pescador mora com sua esposa em uma vila de pescadores, sem luz elétrica, em uma localidade distante aproximadamente 60 km ao sul de Cidreira, conhecida como Farol da Solidão. Ele estava com sua esposa em um veículo Bugue entre caixas de isopor que estavam sendo preenchidas por cubos de gelo. Disse que trabalha em parceria com o outro pescador, e estava ali porque veio trazer pescado e buscar gelo para armazenar mais peixe. Rapidamente explicou-me como funciona essa “parceria” com o pescador dono da peixaria, que chamaremos de intermediário. Basicamente, ele entrega 40% do total de pescado como forma de pagamento do gelo e dos materiais de pesca (cabos e redes) que são alugados. O restante do pescado é vendido exclusivamente a este intermediário, com valor tabelado em função do quilo por tipo de peixe, sem possibilidade de negociação no preço. O pescador afirmou que vem ao município frequentemente entregar o pescado e buscar mais gelo. Antes de irmos embora este “pescador intermediário” afirmou que possui mais de 3.000 metros de rede pescando para ele no município. Isso caracteriza uma espécie de monopólio da pesca e dos pescadores.Considerando que uma rede de espera possui em média 150 metros de extensão, aproximadamente 20 redes/pescadores são explorados por este mesmo sistema de “parceria de pesca”. Um outro pescador, que vive no município há mais de 30 anos e é pai de dois surfistas fez outras denúncias e relatos. Afirmou que perdeu seu ponto de pesca durante a última divisão de áreas que ocorreu no município, pois estava indo “contra os interesses da associação” por defender o fim das redes de espera. Denunciou que um grupo de oito pescadores recebeu um bote através de projeto da EMATER/RS, mas que um dos pescadores do grupo não permitia seu uso, pois não se acertavam na forma como dividiriam os lucros desse tipo de pesca. Disse também que os outros pescadores do grupo temiam pescar com o bote por medo de se afogarem, visto a falta de conhecimento para este tipo de pescaria. Denunciou a venda de freezers para armazenamento de pescado, também recebidos via EMATER/RS. Questionado sobre os motivos pelos quais a produtividade da pesca tem diminuído tanto, este pescador afirmou que isso se deve pela pesca predatória que tem sido praticada no município com redes para captura de camarão. Para isso, mostrou-nos desenhos explicativos dessas redes, comparando a rede utilizada nas lagoas de Santa Catarina e a rede predatória que está sendo usada no município.
Seguem a seguir, nas Fotos 15 e 16.



Segundo o pescador, estas redes (predatórias) acumulam uma grande quantidade de pequenos peixes que ficam presos em seu fundo. A força da corrente de deriva litorânea acaba moendo os peixes e camarões, fato que tem contribuído para a diminuição dos estoques pesqueiros, segundo o pescador. Ele ainda afirmou que não consegue viver da pesca, e que seus filhos não conseguem trabalho porque o município fica abandonado no inverno, só tendo movimento durante o período de veraneio. Seus filhos vivem de colocar cabos de rede para os outros pescadores e da venda do crustáceo Callichirus Major, conhecido como “corrupto” (foto 17), que é vendido aos pescadores amadores na plataforma de pesca ao custo de R$ 1,00 (um real). Além destas denúncias e relatos, tivemos a oportunidade de fotografar alguns materiais de pesca (foto 18) e identificar cabos de rede que não podem ser visualizados por um surfista que eventualmente não consiga sair da água ainda dentro da área de surf (foto 19).




9 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (18)

Nesta parte do CASO PESCA E SURF, Ingo analiza a classe dos pescadores. Uma forma de entender como este conflito acontece, como é o perfil dos que lançam as redes que podem ser fatais para os surfistas.

9.2 A Pesca e o Perfil do Pescador Profissional Artesanal de Cidreira
Através da aplicação de um questionário e de entrevista com os Pescadores Profissionais Artesanais (PPA’s) do município de Cidreira foi traçado um perfil deles e sobre as atividades de pesca. Foram aplicados questionários a nove pescadores, sendo que muitos acabaram se transformando em entrevistas, pois eles se sentiam mais a vontade falando do que escrevendo. Para alguns pescadores foi necessário que nós mesmos preenchêssemos os formulários devido à dificuldade em ler e escrever. Os resultados destes questionários apontam o seguinte:

Tabela cinco: Identificação dos pescadores com o município. Ingo Kuerten, 2007.
A grande maioria dos pescadores vive no município há pelo menos, 15 anos, sendo que muitos vivem ali desde que nasceram.

Tabela seis: Tipos de pesca praticados pelos Pescadores Profissionais Artesanais de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Nota-se através da tabela seis que a base da pesca artesanal no município de Cidreira está nas redes, com uma tendência cultural da pesca com redes de espera (66%) sendo que em seguida vem a prática da pesca com redes de Passeio (55%).

Tabela sete: Freqüência da pesca no município de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Tabela oito: Rendimento mensal dos PPA’s em Salários Mínimos. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Tabela nove: Número de familiares dos PPA’s. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
* Salário Mínimo Estadual para a pesca em Outubro de 2007 = R$ 430,20 conforme Lei Estadual
12.713 de 06 de junho de 2007. Analisando as tabelas sete, oito e nove, podemos fazer algumas considerações sobre os modos de vida dos PPA’s de Cidreira. Apesar da maioria (88%) pescar até cinco dias por semana, sua renda média não ultrapassa os R$ 900,00 (novecentos reais). Considerando que 88% deles possuem até três dependentes, podemos perceber assim a baixa produtividade da pesca para estes pescadores. Outros fatores também podem estar contribuindo para essa baixa remuneração, como o monopólio da pesca, identificado nesta pesquisa e apresentado mais adiante.

Tabela 10: Das fontes de renda dos PPA’s de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Os 55% de pescadores que admitiram ter outra fonte de renda, classificaram estas atividades como “bicos”, trabalhos eventuais realizados principalmente durante o período de veraneio, como pequenos serviços de carpintaria, poda de árvores e jardinagem. Quando questionados sobre a viabilidade de não pescar com redes de cabos fixos durante os finais de semana e feriados, 77% dos pescadores entrevistados afirmaram ser inviável. Isso porque para colocar e retirar os cabos que mantém as redes fixas no mar é preciso pagar um valor em torno de R$ 60,00 (sessenta reais) a algum surfista da região ou nadador experiente sempre que necessário. Apesar disso, 100% dos entrevistados afirmou considerar fundamental a existência da área destinada para os surfistas no município.

2 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (17)

9 OS CONFLITOS PESCA X SURF NO MUNICÍPIO DE CIDREIRA

9.1 Uso e ocupação da orla marítima de Cidreira
Para classificação da orla marítima do município de Cidreira, seguimos metodologia utilizada por Nicolodi (1999). Em estudo sobre os impactos das ressacas no município de Cidreira, Nicolodi (op sit) classificou a orla marítima do município segundo a ocupação da orla em relação às dunas frontais, definindo cinco setores principais pelas seguintes categorias:
1. Dunas Frontais Preservadas;
2. Ocupação da Orla após as Dunas Frontais;
3. Orla Marítima Urbanizada;
4. Sub-Habitações sobre as Dunas Frontais;
5. Área Mista com Ocupação e Dunas;
Utilizando esta mesma classificação fizemos o levantamento da ocupação da orla marítima do município de Cidreira após oito anos, através de um levantamento de campo realizado no município de Cidreira nos dias 18 e 19 de novembro de 2007. Foram feitos o registro fotográfico destas áreas e sua localização através de pontos captados com GPS. Também foram levantados os cabos de redes dispostos na orla, caracterizando seu uso em relação às atividades pesca e surf. A síntese desses levantamentos resultou no Mapa de Uso e Ocupação da Orla Marítima de Cidreira (Figura 13).

Figura 13: Mapa de Uso e Ocupação da Orla Marítima de Cidreira. – Ingo Kuerten, 2008. Fonte: Limite Municipal – IBGE. Arruamentos – GoDigital - 2008.
Utilizando como ferramenta de apoio imagens de satélite de alta resolução do Google Earth, pudemos analisar as formas das construções residenciais, estimando dessa forma o tipo predominante de ocupação – segundas-residências, moradores permanentes, submoradias, etc. Um maior detalhamento encontra-se a seguir:
Setor 1 - Dunas Frontais Preservadas
Estas características podem ser encontradas em dois trechos da orla, um mais ao norte e outro ao sul do município. O trecho mais ao norte caracteriza-se pela ausência de urbanização e preservação das dunas frontais. Possui aproximadamente 4,5km desde o limite com o município de Tramandaí até as últimas construções ao norte do balneário Salinas. Neste trecho da orla foram identificados nove cabos de rede. Coordenadas (30°05’53”S; 50°10’15”W) e (30°08’11.4”S 50°11’13.2”W), visualizado a partir da imagem de satélite captada na ferramenta Google Earth (figura 14).

Figura 14: Vista aérea do Setor 1 norte. Nesta imagem se percebe a ausência de urbanização, caracterizando um trecho de orla altamente preservado. Identificação de nove cabos de redes neste trecho da or la. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten - 2008.
O trecho mais ao sul, com extensão de aproximadamente 900m, encontra-se próximo ao local conhecido como “retiro dos padres”. Caracteriza-se por ser fracamente ocupado, onde as residências não avançam sobre o campo de dunas frontais, conforme figura 15.

Figura 15: Setor 1 sul. Pequeno trecho de orla ainda preservado. Três cabos de redes ident ificados. Nota-se a oeste o campo de dunas eólicas do município de Cidreira. Constitui a única área não ocupada entre os municípios de Cidreira e Pinhal, ao sul. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten - 2008.
A Orla no setor um caracteriza-se como não-urbanizada, com dunas frontais preservadas e bem desenvolvidas. Ambos os trechos do setor 1 são definidos pelo município como áreas exclusivas para pesca profissional artesanal, sendo ocupadas por 12 cabos de redes de pesca.

Foto 6: Vista do limite norte para o sul do município de Cidreira. Área do Setor 1 - Orla aberta, rústica, com presença de dunas frontais preservadas e vegetação fixadora. Ao fundo, veículo com veranistas praticando pesca esportiva com molinete. Data 18/11/2007. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Setor 2 - Ocupação da Orla após as Dunas Frontais
Este setor também se subdivide em dois trechos, Setor dois Norte e Setor dois Sul. O Setor dois Norte estende-se por aproximadamente 3 km, desde o início da urbanização ao norte do balneário Salinas até as proximidades da Avenida “T”. Localiza-se entre as coordenadas (30°08’11.4”S 50°11’13.2”W) e (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W). Este trecho da orla caracteriza-se por ser urbanizado após a linha de dunas frontais. Os padrões de construção denotam um alto poder aquisitivo podendo classificar esta área como predominantemente de segundas residências. Foram identificados cinco cabos de redes neste trecho da orla, conforme figura 16.

Figura 16: Setor 2 norte e localização dos cabos de redes. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten – 2008.

Foto 7: Características da Orla no setor 2 Norte e cabo de rede fixado a tronco de madeira.
Esta rede de difícil identificação está próxima à plataforma de pesca, oferecendo alto risco de morte aos surfistas que freqüentam o local. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Neste setor localiza-se a plataforma de pesca de Cidreira, muito procurada pelos surfistas pelas boas ondas que quebram no local. Porém, ele é delimitado pelo município como área de pesca. Durante o levantamento, flagramos três surfistas no mar, a aproximadamente 600m ao sul da plataforma de pesca. Antes de saírem da água, dois deles passaram sobre um cabo de rede, colocando suas vidas em risco, conforme foto oito.

Foto 8: Cabo de rede no canto inferior direito da foto e surfistas no mar. Risco de vida por desrespeito a delimitação municipal. Foto: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor dois sul estende-se por aproximadamente 425m desde as proximidades da Rua Beija-Flor até o limite sul do município de Cidreira, entre as coordenadas (30°13’54.9”S 50°13’23.8”W) e (30°14’07.56”S 50°13’30.10”W). Este trecho do setor 2 também apresenta urbanização após a linha de dunas frontais e construções que caracterizam ser uma área predominantemente de segundas residências, porém não parecem ser de população com alto poder aquisitivo como no setor 2 norte. Segue este padrão de urbanização da orla pelo município de Pinhal, em conurbação com o município de Cidreira (figura 17). Neste trecho foi identificado um cabo de rede, próximo ao limite com Balneário Pinhal.

Figura 17: Vista aérea do Setor 2 Sul e limite de municípios conurbados Cidreira – Balneário Pinhal. Identificação de um cabo de rede neste trecho da orla. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.
Chegamos neste ponto no momento da despesca, o que permitiu conversar com o pescador e fotografar a rede (foto nove). O pescador é morador do município de Balneário Pinhal e estava usando o ponto de pesca de um amigo de Cidreira.

Foto 9: Rede de pesca no setor 2 Sul. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor três estende-se por aproximadamente 2,6 km desde as proximidades da Avenida Giácomo Carniel, ao norte, até a avenida “G”, ao sul, localizado entre as coordenadas (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W) e (30°11’48.21”S 50°12’38.13”W). É o setor com urbanização mais antiga. Parte central da orla, é onde se localiza o “calçadão” de Cidreira e a área delimitada para surf no município (extensão de 1,55km). A orla neste trecho está altamente alterada/urbanizada, com construções sobre a linha de dunas frontais, retirada das dunas, construção de “calçadão” (obra embargada CECO/FEPAM) e bocas-de-lobo para escoamento pluvial.

Foto 10: Setor 3. Orla intensamente urbanizada, sem dunas frontais, com boca de lobo e pavimentação da orla (calçadão). No centro da imagem, entrada de garagem na linha de praia. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Figura 18: Setor 3. Área da orla de ocupação mais antiga do município. Nota-se o avanço da ocupação sobre o campo de dunas eólicas a oeste da imagem. Em azul, área delimitada para surf no município. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 11: Placa indicativa do limite de áreas surf-pesca no limite norte. Possui menos de 3m de altura. Ao fundo, construções e ausência de dunas frontais. Fonte: Ingo Kuerten, 2007. Dentro do setor três, no trecho da orla permitido para pesca (de aproximadamente 1 km), foram identificados sete cabos de redes, sendo que em ambas as extremidades norte-sul da área destinada para surf constatamos a presença de redes a uma distância inferior a 100 metros de cada extremidade. Além disso, foram flagrados dois pescadores com rede de passeio¹ dentro da área de surf do município, em ambas as extremidades norte-sul. Assim que perceberam que estavam sendo fotografados, soltaram a corda na água para evitar o flagrante.

Foto 12: Captada a partir do limite norte da área de surf, mostra um pescador com rede de passeio invadindo a área de surf. Apesar da dificuldade em observar, quatro surfistas encontravam-se no mar em linha com o pescador. Fonte: Ingo Kuerten 2007. Rede de passeio¹: Rede retangular composta por uma malha, bóia na parte superior, lastro na parte inferior e um cabo de sustentação. O pescador solta a rede em uma corrente de retorno e a deixa “passear” junto a corrente de deriva litorânea, sustentando-a pelo cabo. O Setor quatro estende-se por aproximadamente 3,1km desde as proximidades da Avenida “D” ao norte, até a Rua Beija-flor ao sul, entre as coordenadas (30°12’18.1”S 50°12’47.1”W) e (30°13’54.9”S 50°13’23.8”W). Este trecho da orla possui como características a construção irregular de sub-habitações sobre o campo de dunas frontais e retirada destas. A aglomeração de moradias extremamente simples caracteriza condições de pobreza e falta de condições de moradia. A ocupação neste trecho da orla é composta basicamente por moradores, ao contrário dos outros setores estudados. Neste trecho da orla foram identificados oito cabos de redes.

Figura 19: Detalhe do setor 4. A primeira linha de habitações a partir da faixa de praia caracteriza a ocupação da orla neste setor. Note as formas de aglomeração, sem divisão entre as residências, formando uma espécie de favela nesta faixa longitudinal à orla. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 13: Sub-moradias no setor 4. Não existe espaço entre as residências; construções sobre a linha de dunas frontais ou retirada destas em alguns trechos. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor cinco estende-se em um trecho de aproximadamente 1,4km, desde a Rua 44 (quarenta e quatro) até a Avenida Giácomo Carniel, entre as coordenadas (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W) e (30°10’28.2”S 50°12’04.0”W). Este setor caracteriza-se por apresentar trechos com dunas frontais de pequeno e médio porte intercaladas com trechos de intensa urbanização sem dunas frontais. Neste setor da orla foram contabilizados dois cabos de redes.

Figura 20: Orla no Setor 5. Trecho com dunas preservadas e com intensa urbanização. Dois cabos de redes contabilizados neste setor. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 14: Zona mista com ocupação e dunas no setor 5. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O levantamento da ocupação da orla marítima no município de Cidreira permitiu a identificação de cinco setores com trechos homogêneos quanto às formas de ocupação em relação à linha de dunas frontais. A espacialização dos cabos e redes de pesca e da área delimitada para surf no município permitiu caracterizar os usos da orla, mostrando que existe um total de 36 cabos e redes em uma área de aproximadamente 14 km (16,5 km de orla menos a área destinada para surf – 1,55 km).

26 de mar. de 2009

O CASO PESCA E SURF (16)

8.3 Uso e Ocupação do município de Cidreira
O município de Cidreira foi inserido no subgrupo Municípios Urbanos com População Sazonal. Os municípios enquadrados neste sub-grupo possuem como características:
• Eram áreas de balneário antes de sua criação;
• Têm população predominantemente urbana (95%), porém menos de 20% dos domicílios é ocupado permanentemente, caracterizando-os como de segunda residência;
• Suas populações aumentam consideravelmente durante os meses de verão, assim como as atividades econômicas se voltam para este período. Dados do ultimo censo produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE corroboram estas conclusões para o município de Cidreira. Traçando um paralelo entre o número de domicílios ocupados e não ocupados, pode-se perceber como característica do município ser predominantemente composto por segundas residências, caracterizando sua vocação turística, conforme tabela dois, a seguir.
Tabela 2: Número de domicílios ocupados e não ocupados no município de Cidreira – 2000. Fonte: IBGE, Censo 2000. Adaptado de STROHAECKER (2007).
Os dados do IBGE apresentados na tabela três confirmam a característica de população predominantemente urbana (95,81%) para o município de Cidreira.
Tabela 3: População total, urbana e rural e taxa de crescimento anual em intervalo de 10 anos. Fonte: IBGE, Censo 2000. Adaptado de STROHAECKER (2007).
O Produto Interno Bruto do Município foi levantado através de pesquisa no endereço eletrônico do IBGE e está sintetizado na tabela quatro para o ano de 2005, período mais recente encontrado. Os dados estão agregados por setor de atividades – Agropecuária, Serviços, Indústria e Impostos.
Tabela 4: PIB do município de Cidreira, 2005. Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD divulga anualmente o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, fazendo um contraponto ao indicador Produto Interno Bruto – PIB. Isso porque o PNUD parte do pressuposto que para dimensionar o avanço de uma população, além de considerar o fator econômico, deve-se levar em conta características sociais, culturais e políticas. No IDH estão equacionados três sub-índices: educação, renda e longevidade. Estes três índices estão sintetizados para o município de Cidreira no quadro 1 (um).
Segundo o ranking de IDH municipal Cidreira encontrava-se, em 2000, na posição 414 entre os municípios brasileiros, apresentando alto IDH – Educação (0,907) e tendo no IDH – Renda (0,727) seu pior resultado.

Na semana que vem aqui no Top Wings, na continuidade do trabalho do Ingo Kuerten, entraremos no Capítulo 9 - OS CONFLITOS PESCA x SURF NO MUNICÍPIO DE CIDREIRA, o que é o coração deste assunto.