16 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (19)

Seguimos com O CASO PESCA E SURF, agora a postagem 19 no Top Wings. O intuito destas postagens é a de esclarecer surfistas e público em geral sobre um problema seríssimo que ocorre no litoral do Rio Grande do Sul. A prática de surf e de pesca simultâneamente tem causado mortes de seres humanos. Morte de surfistas. Simplesmente um absurdo. No sábado passado, 11 de abril, o surfista de 22 anos, Lucas Boeira Dias, morreu na praia de Capão da Canoa, preso a redes de pesca. Tragédia anunciada. É impossível que a comunidade em geral, surfistas, pais de surfistas, amigos, familiares, não se movimentem contra esta situação. É mais do que óbvio que se tudo continuar do jeito que está, em breve teremos notícias de mais mortes. Minha conclusão é simples. FIM DO SURF NO RIO GRANDE DO SUL. Se nada for feito para minimizar estes riscos, eu e minha filha, pelo menos nós dois, estaremos abandonando este litoral e procurando local seguro para prática do nosso surf. Neko.

9.2.1 Os Relatos dos Pescadores
Durante as entrevistas, quando questionados sobre o aumento da área destinada para surf, quatro pescadores aceitaram a possibilidade de se aumentar a área do município destinada para surf. Porém, um deles é pai de dois surfistas e os outros três são pescadores e também surfistas. Durante os levantamentos da ocupação e usos da orla tivemos a oportunidade de conversar com dois pescadores. Um deles, dono do penúltimo cabo de rede levantado no município, informou que é funcionário público aposentado e que pesca apenas como lazer. Afirmou também que tem duas filhas com terceiro grau completo, mora no município há dois anos e que não teve problemas em conseguir licença de pescador profissional artesanal. O outro pescador passeava pela praia de bicicleta e, curioso ao ver-nos tirando foto dos cabos de rede, veio conversar pra saber se éramos da prefeitura. Assim que soube que fazíamos um trabalho sobre pesca no município, fez diversas denúncias, inclusive citando nomes. Denunciou um colega que está morando em Tramandaí há dois anos, não vive mais de pesca, mas está tentando vender o ponto que lhe foi delimitado no município. Afirmou ainda que este mesmo pescador ainda recebe o defeso da piracema nos meses de verão. Falou que um cunhado seu, que é pedreiro e nunca pescou recebeu carteira de pescador da associação de pescadores do município apenas para ganhar o dinheiro do defeso em troca de votos nas eleições. Três pescadores que não puderam nos atender afirmando falta de tempo possuíam uma característica em comum: O alto poder aquisitivo. Chegamos à residência de um deles localizada próximo à plataforma de pesca, mas o pescador estava carregando seu Jipe para sair a pescar. A residência possuía três pavimentos além do térreo, contava com outros dois veículos na garagem e parecia ser bem grande. Em outra visita na tentativa de entrevistar o pescador, já percebemos o alto poder aquisitivo. Ele também possuía um Jipe, outros dois veículos, casa de alvenaria nova, muitas redes e petrechos de pesca em um galpão junto ao jardim em frente à residência. O terceiro pescador com alto poder aquisitivo foi onde fizemos nossa última parada para entrevistas. Ele é dono de uma peixaria na localidade de Nazaré, entre o centro de Cidreira e o balneário Salinas. Este pescador vive há mais de 25 anos no município de Cidreira, e é um dos responsáveis pela associação de pescadores do município. Apesar de alegar falta de tempo (atendia aos fregueses e também a um pescador que lhe trazia pescado) pudemos ter uma rápida conversa. Ao contrário da maioria dos pescadores entrevistados, este era muito articulado. Possui uma bela residência de alvenaria com dois pavimentos sobre sua peixaria, e no terreno ao lado havia dois caminhões, um Jipe e mais um veículo de passeio. Afirmou que têm um filho na faculdade, aparentando dominar os meios de comunicação como internet, etc. Assim que soube da aplicação dos questionários, contestou as afirmações dos pescadores antes entrevistados, alegando que nenhum deles ganha com a pesca menos do que R$ 1.500,00 por mês. Quando questionado sobre as áreas para surf e para pesca, afirmou que foi oferecido aos surfistas do município o aumento da área para surf em mais dois quilômetros para sul da atual área de surf, mas que estes não aceitaram porque “querem surfar na área central para poder aparecer”. O pescador que lhe fornecia os peixes não confirmou a alegação da remuneração média para os pescadores. Conversando com este pescador e observando seus atos e comportamento, pudemos ter uma visão um pouco diferente. Este pescador mora com sua esposa em uma vila de pescadores, sem luz elétrica, em uma localidade distante aproximadamente 60 km ao sul de Cidreira, conhecida como Farol da Solidão. Ele estava com sua esposa em um veículo Bugue entre caixas de isopor que estavam sendo preenchidas por cubos de gelo. Disse que trabalha em parceria com o outro pescador, e estava ali porque veio trazer pescado e buscar gelo para armazenar mais peixe. Rapidamente explicou-me como funciona essa “parceria” com o pescador dono da peixaria, que chamaremos de intermediário. Basicamente, ele entrega 40% do total de pescado como forma de pagamento do gelo e dos materiais de pesca (cabos e redes) que são alugados. O restante do pescado é vendido exclusivamente a este intermediário, com valor tabelado em função do quilo por tipo de peixe, sem possibilidade de negociação no preço. O pescador afirmou que vem ao município frequentemente entregar o pescado e buscar mais gelo. Antes de irmos embora este “pescador intermediário” afirmou que possui mais de 3.000 metros de rede pescando para ele no município. Isso caracteriza uma espécie de monopólio da pesca e dos pescadores.Considerando que uma rede de espera possui em média 150 metros de extensão, aproximadamente 20 redes/pescadores são explorados por este mesmo sistema de “parceria de pesca”. Um outro pescador, que vive no município há mais de 30 anos e é pai de dois surfistas fez outras denúncias e relatos. Afirmou que perdeu seu ponto de pesca durante a última divisão de áreas que ocorreu no município, pois estava indo “contra os interesses da associação” por defender o fim das redes de espera. Denunciou que um grupo de oito pescadores recebeu um bote através de projeto da EMATER/RS, mas que um dos pescadores do grupo não permitia seu uso, pois não se acertavam na forma como dividiriam os lucros desse tipo de pesca. Disse também que os outros pescadores do grupo temiam pescar com o bote por medo de se afogarem, visto a falta de conhecimento para este tipo de pescaria. Denunciou a venda de freezers para armazenamento de pescado, também recebidos via EMATER/RS. Questionado sobre os motivos pelos quais a produtividade da pesca tem diminuído tanto, este pescador afirmou que isso se deve pela pesca predatória que tem sido praticada no município com redes para captura de camarão. Para isso, mostrou-nos desenhos explicativos dessas redes, comparando a rede utilizada nas lagoas de Santa Catarina e a rede predatória que está sendo usada no município.
Seguem a seguir, nas Fotos 15 e 16.



Segundo o pescador, estas redes (predatórias) acumulam uma grande quantidade de pequenos peixes que ficam presos em seu fundo. A força da corrente de deriva litorânea acaba moendo os peixes e camarões, fato que tem contribuído para a diminuição dos estoques pesqueiros, segundo o pescador. Ele ainda afirmou que não consegue viver da pesca, e que seus filhos não conseguem trabalho porque o município fica abandonado no inverno, só tendo movimento durante o período de veraneio. Seus filhos vivem de colocar cabos de rede para os outros pescadores e da venda do crustáceo Callichirus Major, conhecido como “corrupto” (foto 17), que é vendido aos pescadores amadores na plataforma de pesca ao custo de R$ 1,00 (um real). Além destas denúncias e relatos, tivemos a oportunidade de fotografar alguns materiais de pesca (foto 18) e identificar cabos de rede que não podem ser visualizados por um surfista que eventualmente não consiga sair da água ainda dentro da área de surf (foto 19).




15 de abr. de 2009

Surfoterapia

Um esporte, um hobbie, são fundamentais para a manutenção da juventude e da saúde espiritual do ser humano. Independente da idade cronológica do indivíduo. Não precisa ser algo muito radical ou convencional. Bastam momentos de "desligamento" da mente das rotinas, compromissos e responsabilidades do dia a dia por algumas horas. Mais legal ainda é se for possível encontrar amigos, família, gente querida durante estes períodos mágicos. Foi o que ocorreu comigo neste feriado de Páscoa passado. Pude surfar muito com gente legal de vários níveis de surf que tornaram estes momentos "ZEN" mais ricos ainda. Uma prancha, uma praia, ondas e a vontade de entrar no mar. Simples assim. Faz muito bem para o corpo, para a mente, para o espírito e para a autoestima. Terapia. Vida.

14 de abr. de 2009

Segurando a onda

Já ouviu alguém dizendo que está segurando a maior onda? Tirando onda? Talvez estivessem falando do Rick Rietveld. Olha aí um cara segurando uma onda. Obra dele.

13 de abr. de 2009

Ingleses

Florianópolis é realmente um lugar mágico para o surf. Algumas praias são bem conhecidas pela galera do surf mundial. Já outras praias, com ondas menos constantes, de vez em quando nos presenteiam com dias clássicos. Olha só esta onda do Dode em Ingleses. ALTAS ESQUERDAS!

12 de abr. de 2009

Periculosidade

Alguns trabalhos são considerados perigososo. Olha aí o fotógrafo Clark Little em ação. Será que cobra por esta imagem mais caro do que outra mais fácil? Trabalho de alta periculosidade...

11 de abr. de 2009

Mais pier

E esse pier da galera do Wavetoon? Certamente é no Brasil! Tem cara de plataformas de pesca do Rio Grande do Sul.

10 de abr. de 2009

Pier

Existem (e existiram) piers ou plataformas mundo afora que ajudam a formar bons bancos de areia para o surf. Rio, Califórnia, Rio Grande do Sul, etc. Obras para fins de saneamento, pesca, entre outros. Esse aí do desenho deve ser californiano, outra do John Severson.

9 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (18)

Nesta parte do CASO PESCA E SURF, Ingo analiza a classe dos pescadores. Uma forma de entender como este conflito acontece, como é o perfil dos que lançam as redes que podem ser fatais para os surfistas.

9.2 A Pesca e o Perfil do Pescador Profissional Artesanal de Cidreira
Através da aplicação de um questionário e de entrevista com os Pescadores Profissionais Artesanais (PPA’s) do município de Cidreira foi traçado um perfil deles e sobre as atividades de pesca. Foram aplicados questionários a nove pescadores, sendo que muitos acabaram se transformando em entrevistas, pois eles se sentiam mais a vontade falando do que escrevendo. Para alguns pescadores foi necessário que nós mesmos preenchêssemos os formulários devido à dificuldade em ler e escrever. Os resultados destes questionários apontam o seguinte:

Tabela cinco: Identificação dos pescadores com o município. Ingo Kuerten, 2007.
A grande maioria dos pescadores vive no município há pelo menos, 15 anos, sendo que muitos vivem ali desde que nasceram.

Tabela seis: Tipos de pesca praticados pelos Pescadores Profissionais Artesanais de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Nota-se através da tabela seis que a base da pesca artesanal no município de Cidreira está nas redes, com uma tendência cultural da pesca com redes de espera (66%) sendo que em seguida vem a prática da pesca com redes de Passeio (55%).

Tabela sete: Freqüência da pesca no município de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Tabela oito: Rendimento mensal dos PPA’s em Salários Mínimos. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Tabela nove: Número de familiares dos PPA’s. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
* Salário Mínimo Estadual para a pesca em Outubro de 2007 = R$ 430,20 conforme Lei Estadual
12.713 de 06 de junho de 2007. Analisando as tabelas sete, oito e nove, podemos fazer algumas considerações sobre os modos de vida dos PPA’s de Cidreira. Apesar da maioria (88%) pescar até cinco dias por semana, sua renda média não ultrapassa os R$ 900,00 (novecentos reais). Considerando que 88% deles possuem até três dependentes, podemos perceber assim a baixa produtividade da pesca para estes pescadores. Outros fatores também podem estar contribuindo para essa baixa remuneração, como o monopólio da pesca, identificado nesta pesquisa e apresentado mais adiante.

Tabela 10: Das fontes de renda dos PPA’s de Cidreira. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Os 55% de pescadores que admitiram ter outra fonte de renda, classificaram estas atividades como “bicos”, trabalhos eventuais realizados principalmente durante o período de veraneio, como pequenos serviços de carpintaria, poda de árvores e jardinagem. Quando questionados sobre a viabilidade de não pescar com redes de cabos fixos durante os finais de semana e feriados, 77% dos pescadores entrevistados afirmaram ser inviável. Isso porque para colocar e retirar os cabos que mantém as redes fixas no mar é preciso pagar um valor em torno de R$ 60,00 (sessenta reais) a algum surfista da região ou nadador experiente sempre que necessário. Apesar disso, 100% dos entrevistados afirmou considerar fundamental a existência da área destinada para os surfistas no município.

8 de abr. de 2009

Equipamento antigo

Esportes como windsurf e asa delta são esportes que recebem novidades em equipamentos com muita frequência. Todos os anos velas novas, pranchas com materiais diferentes, novos shapes, detalhes. No surf esta evolução não é tão rápida. As mudanças de shape e materiais não são tão frequentes. Algumas destas mudanças são feitas mais para que os praticantes destes esportes se sintam como se estivessem utilizando equipamentos ultrapassados. Uma lista nova, mudança de padrão de cores, detalhes no acabamento, normalmente não causam diferença em performance. Um material mais leve, mais resistente, mais aerodinâmico (hidrodinâmico), aí sim podem melhorar rendimento de bólidos. Portanto, fique sempre atento as novidades no mercado do seu esporte. Observe as novidades e veja a implicação que elas podem causar no seu desempenho. Se não for relevante, siga com seu brinquedo atual. Agora, se for uma revolução e todos os top estão migrando para ela, comece a pensar em renovação. Seu equipamento pode estar ficando velho e desatualizado...

7 de abr. de 2009

Paulo Orofino

Paulo Orofino, meu grande brou e primo merece um destaque aqui no Top Wings ainda mais pela data de hoje. Eu o o Paulinho, além de primos, somos amigos já faz algum tempo.
Na foto ao lado, que já faz um tempinho que foi tirada, estamos sobre uma pedra na praia de Itaguaçu em Florianópolis/SC (Paulinho é o jovem na direita, eu o da esquerda). Bicicleta, skate, surf, asa delta. Fizemos um vôo duplo de asa delta em Sapiranga/RS onde tive a oportunidade de levá-lo num vôo com decolagem tranquila, vôo liso e pouso padrão. Olha a nossa decolagem no video a seguir.

Atualmente quando apareço em Florianópolis, nosso surf é certo. Aquelas caídas no amanhecer que por vezes tem que acabar antes das 8h da manhã para não atrapalhar o expediente de trabalho. Não interessa o vento, o swell ou a praia. Nesse outro video, no inverno passado, aconteceu bem isso. Uma madrugada de surf na praia do Campeche.

Paulinho faz parte da organização do campeonato local de surf na praia do Campeche que chama-se Surfoco. Durante os sábados de Carnaval, acontece este evento de surf já a vinte anos. 
Nesta foto, tá lá o Paulinho dropando uma onda em bateria do Surfoco 2009.
E este desenho a seguir, feito por ele em 1985, SURF!

6 de abr. de 2009

Movimento

Onda nada mais é do que água em movimento. Muito bem retratada pelo David Pu'u nesta foto.

5 de abr. de 2009

Power Light by Guga Arruda

O surfista de competição, grande brou e primo Guga Arruda (na foto arrepiando numa onda como de costume) está iniciando a produção de novas pranchas de surf com um processo de fabricação revolucionário. As pranchas convencionais que você vê nas lojas de surf tem duas camadas de fibra de vidro na parte de cima e uma camada na parte de baixo. São shapeadas em blocos de poliuretano com longarinas e revestidas com as camadas de fibra sintética e resinas de poliester. Guga iniciou a pouco tempo a fabricação das novíssimas POWER LIGHT utilizando conceitos e materiais altamente inovadores. Depois que um shaper encontra o segredo da prancha mágica, nada melhor do que poder reproduzi-la infinitamente utilizando a mesma geometria vencedora. 
Guga está fabricando pranchas sem longarinas, com 3 camadas de fibra (ou fibra de carbono, ou kevlar, ou madeira, ou coremate, etc.) encima e 3 camadas embaixo, produzindo pranchas de surf flexíveis mais resistentes e mais leves do que as que você está acostumado a ver por aí. As opções de materiais são inúmeras, dependendo apenas da sua preferência ou do tipo de prancha que você está procurando. Guga é o cara certo para te indicar a opção que mais se adapta ao seu surf.
A prancha que Guga Arruda está usando em competições é uma swallow, 6' 1", triquilha toda ela revestida de fibra de carbono (Full Carbon Flex Control). Você pode ter esta mesma prancha para o seu surf, bastando apenas você escolher o material que mais lhe agrada (veja alguns exemplos na foto ao lado). Pranchas com extrema resistência mecânica, sem passarem por processos de lixação que fragilizam pontos na superfície das pranchas (muitas vezes a lixação tira todas as camadas de fibra em algumas regiões da prancha de surf) e com um acabamento de primeira. Já se você prefere um freesurf redondo, com uma prancha que surfa praticamente sozinha, dá cut backs perfeitos, acelera quando precisa, flutua bastante e vai te deixar com aquela risada de orelha a orelha depois de um dia de surf, talvez você possa estar precisando de uma fish 5' 6" quadriquilha da Power Light
O modelo padrão para este brinquedo é a com revestimento Classic Wood, que tem alta resistência ao amassamento, mas nada te impede de pedir qualquer outro revestimento. É possível ter-se com revestimentos de materiais diferentes entre o deck e o fundo (deck um material, fundo outro material). Já os iniciantes ou os que gostam de um surf menos radical, uma fun 7' 0" pode ser sua melhor opção. Pranchas de fácil remada, entram bem em ondas mais lentas e gordas e por serem super leves proporcionam manobras mesmo com todo este tamanho. Ideais para quem não está preocupado com rasgadas extremas, e sim com um free surf relax sem muita violência.
É a prancha indicada para o inicio no esporte. Tem estabilidade mas não é aquele toco de curso de surf tradicional. Brinquedo que permite um surf mais manobrado a medida que o (a) surfista começa a entrar na onda e chamar nas cavadas. Como não é raro um iniciante apoiar seus joelhos ao se levantar na prancha, uma superfície mais resistente para o deck da prancha de surf tende a diminuir os amassamentos causados no aprendizado. Assim pode-se  aumentar a durabilidade do equipamento. Exatamente o que o revestimento Classic Wood tem de melhor. Alta resistência ao amassamento. A prancha fun fica entre o surf de pranchão e o surf de pranchinha. Logo, essa prancha é a prancha para quem está decidindo qual dos dois caminhos pretende seguir. Pranchão ou pranchinha? Outro produto do Guga é a prancha de tow in.
Projetada para uso em ondas gigantes num surf rebocado por jet ski, tem o seu peso calibrado em função da necessidade do surfista (esse modelo não deve ser muito leve pelas características do surf em alta velocidade). Todas as pranchas Power Light são extremamente leves, mágicas, super resistentes, flexíveis e de altíssima qualidade. Se você quiser fazer encomendas diretamente com o Guga, mande um e-mail para ele. Se você está no Rio Grande do Sul, entre em contato comigo que posso te mostrar um brinquedo destes ao vivo. Surfo com as pranchas do Guga e meu surf depois de muitos anos hibernado, começou a evoluir novamente. Em breve, online, o site oficial da Power Light que está em elaboração.

4 de abr. de 2009

Prancha leve

Você já parou para pensar qual a influência do peso de sua prancha (e o seu) no seu surf? A prancha boia na água pois a densidade dela é menor do que a água. A força de empuxo (força de baixo para cima com o mesmo valor do peso do volume de fluido deslocado), é que faz sua prancha boiar na água (terceira lei de Newton). Isso significa que o peso de toda a água deslocada pelo seu corpo e sua prancha quando sob a água, é a força que te mantém boiando sobre o mar (imagine você sentado sobre sua prancha, fica mais fácil entender). Voltando para o peso da prancha, ela sendo leve, bóia mais do que outra prancha mais pesada. Mas o que mais ajuda no surf com uma prancha mais leve é a manobrabilidade. Com pouco peso, a inércia é menor. Ou seja, é necessário menos força para mudar a direção desta prancha quando em movimento. Logo, só existem vantagens de uma prancha leve sobre outra, de mesmo shape, quando pesada (fora no caso das pranchas de tow in que tem peso para ficarem estáveis em altíssimas velocidades). Olha o surfista da foto: pranchas muito leves podem dar a impressão de que estamos surfando sem elas!

3 de abr. de 2009

Clark Little

Mais uma dica do Paulinho Orofino. Esse fotógtafo chama-se Clark Little. As fotos do Clark são obras primas. Jogos de cores e movimentos tendo sempre ondas do mar como inspiração. Iniciamos aqui no Top Wings uma série com ele. Olhe a foto ao lado. Entendeu o que é? Uma onda vista de dentro. Água transparente, dia com zero vento.

2 de abr. de 2009

O CASO PESCA E SURF (17)

9 OS CONFLITOS PESCA X SURF NO MUNICÍPIO DE CIDREIRA

9.1 Uso e ocupação da orla marítima de Cidreira
Para classificação da orla marítima do município de Cidreira, seguimos metodologia utilizada por Nicolodi (1999). Em estudo sobre os impactos das ressacas no município de Cidreira, Nicolodi (op sit) classificou a orla marítima do município segundo a ocupação da orla em relação às dunas frontais, definindo cinco setores principais pelas seguintes categorias:
1. Dunas Frontais Preservadas;
2. Ocupação da Orla após as Dunas Frontais;
3. Orla Marítima Urbanizada;
4. Sub-Habitações sobre as Dunas Frontais;
5. Área Mista com Ocupação e Dunas;
Utilizando esta mesma classificação fizemos o levantamento da ocupação da orla marítima do município de Cidreira após oito anos, através de um levantamento de campo realizado no município de Cidreira nos dias 18 e 19 de novembro de 2007. Foram feitos o registro fotográfico destas áreas e sua localização através de pontos captados com GPS. Também foram levantados os cabos de redes dispostos na orla, caracterizando seu uso em relação às atividades pesca e surf. A síntese desses levantamentos resultou no Mapa de Uso e Ocupação da Orla Marítima de Cidreira (Figura 13).

Figura 13: Mapa de Uso e Ocupação da Orla Marítima de Cidreira. – Ingo Kuerten, 2008. Fonte: Limite Municipal – IBGE. Arruamentos – GoDigital - 2008.
Utilizando como ferramenta de apoio imagens de satélite de alta resolução do Google Earth, pudemos analisar as formas das construções residenciais, estimando dessa forma o tipo predominante de ocupação – segundas-residências, moradores permanentes, submoradias, etc. Um maior detalhamento encontra-se a seguir:
Setor 1 - Dunas Frontais Preservadas
Estas características podem ser encontradas em dois trechos da orla, um mais ao norte e outro ao sul do município. O trecho mais ao norte caracteriza-se pela ausência de urbanização e preservação das dunas frontais. Possui aproximadamente 4,5km desde o limite com o município de Tramandaí até as últimas construções ao norte do balneário Salinas. Neste trecho da orla foram identificados nove cabos de rede. Coordenadas (30°05’53”S; 50°10’15”W) e (30°08’11.4”S 50°11’13.2”W), visualizado a partir da imagem de satélite captada na ferramenta Google Earth (figura 14).

Figura 14: Vista aérea do Setor 1 norte. Nesta imagem se percebe a ausência de urbanização, caracterizando um trecho de orla altamente preservado. Identificação de nove cabos de redes neste trecho da or la. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten - 2008.
O trecho mais ao sul, com extensão de aproximadamente 900m, encontra-se próximo ao local conhecido como “retiro dos padres”. Caracteriza-se por ser fracamente ocupado, onde as residências não avançam sobre o campo de dunas frontais, conforme figura 15.

Figura 15: Setor 1 sul. Pequeno trecho de orla ainda preservado. Três cabos de redes ident ificados. Nota-se a oeste o campo de dunas eólicas do município de Cidreira. Constitui a única área não ocupada entre os municípios de Cidreira e Pinhal, ao sul. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten - 2008.
A Orla no setor um caracteriza-se como não-urbanizada, com dunas frontais preservadas e bem desenvolvidas. Ambos os trechos do setor 1 são definidos pelo município como áreas exclusivas para pesca profissional artesanal, sendo ocupadas por 12 cabos de redes de pesca.

Foto 6: Vista do limite norte para o sul do município de Cidreira. Área do Setor 1 - Orla aberta, rústica, com presença de dunas frontais preservadas e vegetação fixadora. Ao fundo, veículo com veranistas praticando pesca esportiva com molinete. Data 18/11/2007. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Setor 2 - Ocupação da Orla após as Dunas Frontais
Este setor também se subdivide em dois trechos, Setor dois Norte e Setor dois Sul. O Setor dois Norte estende-se por aproximadamente 3 km, desde o início da urbanização ao norte do balneário Salinas até as proximidades da Avenida “T”. Localiza-se entre as coordenadas (30°08’11.4”S 50°11’13.2”W) e (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W). Este trecho da orla caracteriza-se por ser urbanizado após a linha de dunas frontais. Os padrões de construção denotam um alto poder aquisitivo podendo classificar esta área como predominantemente de segundas residências. Foram identificados cinco cabos de redes neste trecho da orla, conforme figura 16.

Figura 16: Setor 2 norte e localização dos cabos de redes. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten – 2008.

Foto 7: Características da Orla no setor 2 Norte e cabo de rede fixado a tronco de madeira.
Esta rede de difícil identificação está próxima à plataforma de pesca, oferecendo alto risco de morte aos surfistas que freqüentam o local. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
Neste setor localiza-se a plataforma de pesca de Cidreira, muito procurada pelos surfistas pelas boas ondas que quebram no local. Porém, ele é delimitado pelo município como área de pesca. Durante o levantamento, flagramos três surfistas no mar, a aproximadamente 600m ao sul da plataforma de pesca. Antes de saírem da água, dois deles passaram sobre um cabo de rede, colocando suas vidas em risco, conforme foto oito.

Foto 8: Cabo de rede no canto inferior direito da foto e surfistas no mar. Risco de vida por desrespeito a delimitação municipal. Foto: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor dois sul estende-se por aproximadamente 425m desde as proximidades da Rua Beija-Flor até o limite sul do município de Cidreira, entre as coordenadas (30°13’54.9”S 50°13’23.8”W) e (30°14’07.56”S 50°13’30.10”W). Este trecho do setor 2 também apresenta urbanização após a linha de dunas frontais e construções que caracterizam ser uma área predominantemente de segundas residências, porém não parecem ser de população com alto poder aquisitivo como no setor 2 norte. Segue este padrão de urbanização da orla pelo município de Pinhal, em conurbação com o município de Cidreira (figura 17). Neste trecho foi identificado um cabo de rede, próximo ao limite com Balneário Pinhal.

Figura 17: Vista aérea do Setor 2 Sul e limite de municípios conurbados Cidreira – Balneário Pinhal. Identificação de um cabo de rede neste trecho da orla. Fonte: Imagem Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.
Chegamos neste ponto no momento da despesca, o que permitiu conversar com o pescador e fotografar a rede (foto nove). O pescador é morador do município de Balneário Pinhal e estava usando o ponto de pesca de um amigo de Cidreira.

Foto 9: Rede de pesca no setor 2 Sul. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor três estende-se por aproximadamente 2,6 km desde as proximidades da Avenida Giácomo Carniel, ao norte, até a avenida “G”, ao sul, localizado entre as coordenadas (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W) e (30°11’48.21”S 50°12’38.13”W). É o setor com urbanização mais antiga. Parte central da orla, é onde se localiza o “calçadão” de Cidreira e a área delimitada para surf no município (extensão de 1,55km). A orla neste trecho está altamente alterada/urbanizada, com construções sobre a linha de dunas frontais, retirada das dunas, construção de “calçadão” (obra embargada CECO/FEPAM) e bocas-de-lobo para escoamento pluvial.

Foto 10: Setor 3. Orla intensamente urbanizada, sem dunas frontais, com boca de lobo e pavimentação da orla (calçadão). No centro da imagem, entrada de garagem na linha de praia. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.

Figura 18: Setor 3. Área da orla de ocupação mais antiga do município. Nota-se o avanço da ocupação sobre o campo de dunas eólicas a oeste da imagem. Em azul, área delimitada para surf no município. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 11: Placa indicativa do limite de áreas surf-pesca no limite norte. Possui menos de 3m de altura. Ao fundo, construções e ausência de dunas frontais. Fonte: Ingo Kuerten, 2007. Dentro do setor três, no trecho da orla permitido para pesca (de aproximadamente 1 km), foram identificados sete cabos de redes, sendo que em ambas as extremidades norte-sul da área destinada para surf constatamos a presença de redes a uma distância inferior a 100 metros de cada extremidade. Além disso, foram flagrados dois pescadores com rede de passeio¹ dentro da área de surf do município, em ambas as extremidades norte-sul. Assim que perceberam que estavam sendo fotografados, soltaram a corda na água para evitar o flagrante.

Foto 12: Captada a partir do limite norte da área de surf, mostra um pescador com rede de passeio invadindo a área de surf. Apesar da dificuldade em observar, quatro surfistas encontravam-se no mar em linha com o pescador. Fonte: Ingo Kuerten 2007. Rede de passeio¹: Rede retangular composta por uma malha, bóia na parte superior, lastro na parte inferior e um cabo de sustentação. O pescador solta a rede em uma corrente de retorno e a deixa “passear” junto a corrente de deriva litorânea, sustentando-a pelo cabo. O Setor quatro estende-se por aproximadamente 3,1km desde as proximidades da Avenida “D” ao norte, até a Rua Beija-flor ao sul, entre as coordenadas (30°12’18.1”S 50°12’47.1”W) e (30°13’54.9”S 50°13’23.8”W). Este trecho da orla possui como características a construção irregular de sub-habitações sobre o campo de dunas frontais e retirada destas. A aglomeração de moradias extremamente simples caracteriza condições de pobreza e falta de condições de moradia. A ocupação neste trecho da orla é composta basicamente por moradores, ao contrário dos outros setores estudados. Neste trecho da orla foram identificados oito cabos de redes.

Figura 19: Detalhe do setor 4. A primeira linha de habitações a partir da faixa de praia caracteriza a ocupação da orla neste setor. Note as formas de aglomeração, sem divisão entre as residências, formando uma espécie de favela nesta faixa longitudinal à orla. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 13: Sub-moradias no setor 4. Não existe espaço entre as residências; construções sobre a linha de dunas frontais ou retirada destas em alguns trechos. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O Setor cinco estende-se em um trecho de aproximadamente 1,4km, desde a Rua 44 (quarenta e quatro) até a Avenida Giácomo Carniel, entre as coordenadas (30°09’44.9”S 50°11’48.9”W) e (30°10’28.2”S 50°12’04.0”W). Este setor caracteriza-se por apresentar trechos com dunas frontais de pequeno e médio porte intercaladas com trechos de intensa urbanização sem dunas frontais. Neste setor da orla foram contabilizados dois cabos de redes.

Figura 20: Orla no Setor 5. Trecho com dunas preservadas e com intensa urbanização. Dois cabos de redes contabilizados neste setor. Fonte: Google Earth e Ingo Kuerten, 2008.

Foto 14: Zona mista com ocupação e dunas no setor 5. Fonte: Ingo Kuerten, 2007.
O levantamento da ocupação da orla marítima no município de Cidreira permitiu a identificação de cinco setores com trechos homogêneos quanto às formas de ocupação em relação à linha de dunas frontais. A espacialização dos cabos e redes de pesca e da área delimitada para surf no município permitiu caracterizar os usos da orla, mostrando que existe um total de 36 cabos e redes em uma área de aproximadamente 14 km (16,5 km de orla menos a área destinada para surf – 1,55 km).

1 de abr. de 2009

Onda Rainha

As ondas chegam na praia separadas por um período de tempo (que pode variar se a onda é grande, vento, etc.). Quando entram várias ondas maiores juntas, chamamos de série. A maior onda da série, ou a maior onda do dia, é chamada de onda rainha. Na foto ao lado, uma onda rainha que foi surfada durante um tsunami na qual o surfista sobreviveu. Já a população que estava em terra... É verdade! Verdade de primeiro de abril... (fala sério, você não caiu nessa né?).

31 de mar. de 2009

Talhamar

Num final de tarde na praia do Campeche/SC eu estava olhando o swell com meu primo Paulinho e vimos alguns pássaros voando sobre o mar em bando, passeando sobre as ondas, bem perto da água. Passou-se um tempo e o Paulinho achou uma foto deles e me enviou. É esta aí do lado. O pássaro chama-se Talhamar. Voam com parte do bico dentro da água a centímetros de altura em relação ao nível do mar. Uma forma diferente de voar e de alimentar-se.

30 de mar. de 2009

Força barra

Sabe aqueles dias em que você TEM que surfar? O mar não tem onda, o vento está ruim, só cachote... É o que chamamos de forçar a barra. No dia desta foto foi mais ou menos assim. Lá por 1978 (putz, 30 anos atrás...) meu Tio Guto, que portava uma camera fotográfica bala, entrou numa de tirar algumas fotos minhas surfando. Fomos para a praia da Barra da Tijuca no Rio (viu, barra forçada na Barra mesmo) e fui para a água. O mar estava batido, fechando tudo... Sairam fotos como essa aí. Uma batina finaleira meio lay back... Até que não ficou tão ruim assim. Valeu o banho, digo, a forçada de barra.

29 de mar. de 2009

Nova Petrópolis 2005

Um dos primeiros videos de vôo de asa delta que fiz. Decolagem em dia de vento moderado, termais bicudas e o pouso tradicional.

28 de mar. de 2009

Van Gogh surfava?

Não sei se Van Gogh surfava, mas John Severson, talvez inspirado nesse famoso pintor, fez a pintura de surf ao lado. Um por de sol meio "expressionista"... Bom, tá lá a onda no meio destas "luzes" todas.